Introdução a história do Hidromel

Introdução a história do Hidromel

Introdução a história do Hidromel: O que é hidromel exatamente?

De acordo com o ponto de vista comum, é algo extremamente simples – é o resultado da fermentação de mel diluído em água. E se é fermentado, obviamente, as leveduras também estão presentes. Antes de prosseguirmos com a história do hidromel, um pequeno parêntese: No Brasil, segundo o MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento só é reconhecido como hidromel a mistura base (mel, água e leveduras), sais nutrientes com teor alcoólico entre 4% a 14% v/v. Ou seja, qualquer coisa diferente disso, só poderá ser enquadrado como Bebida Alcoólica Mista.

Vinho de mel?

Ocasionalmente, o hidromel é chamado de “vinho de mel”. Esse termo o torna mais acessível, pois muitas pessoas estão familiarizadas com o vinho. O processo de produção do hidromel e vinho é quase o mesmo (quase!). Ambas as bebidas vêm da fermentação de determinado tipo de açúcar, com a adição de água para diluí-lo. No entanto, chamar o hidromel de vinho de mel pode levar à ideia de que o hidromel é suco de uva fermentado com adição de mel. Eu acredito que é mais simples considerar o hidromel por seus próprios méritos e não confundir as coisas adicionando o termo vinho.

O que veio primeiro?

O processo de fabricação do hidromel pode ser extraordinariamente simples: adicione a porção correta de água ao mel, inocule fermento (ou não) e aguarde. Se todas as condições estiverem corretas, você obterá hidromel. Por esta razão, o hidromel é sem dúvida a primeira bebida fermentada criada por seres humanos. Há muito debate entre os entusiastas da cerveja, vinho e hidromel sobre quem surgiu primeiro. No entanto, argumento que, como o mel pode ser coletado de fontes selvagens, o hidromel, dessa forma deve ter ser o primeiro. Tanto a cerveja quanto o vinho precisam de uma quantidade de grãos ou uvas para seus processos que só podem advir de um cultivo intencional. Ou seja, eles não devem ter ocorrido antes da invenção da agricultura. No entanto, o hidromel pode e, provavelmente, aconteceu por acaso.

Habemus hidromel!

Considere o seguinte cenário: Um caçador-coletor paleolítico vai colher mel de uma colméia selvagem cerca de vinte, dez mil anos atrás. Eles coletam o mel em um recipiente e depois esvaziam a maior parte do mel em outro recipiente. O recipiente original é deixado exposto ao tempo e coleta a água da chuva. É esquecido e deixado por conta própria. A levedura selvagem se acumula no interior e deleita-se com o mel restante. Um membro da tribo com sede encontra o recipiente e toma um gole. Uau! Um líquido intoxicante semi-doce é descoberto e o hidromel é inventado!

Um pouco mais de história

Faz sentido para mim que isso tenha acontecido várias vezes entre os primeiros grupos tribais da África, Europa e Ásia. Portanto, o hidromel não surge de uma única origem, mas foi inventado e possivelmente esquecido várias vezes ao longo de toda a história da humanidade. Algumas teorias mais recentes começam a vincular a origem ou “ponto zero” do hidromel à província de Henan, na China primitiva.

A produção de hidromel era bastante popular entre egípcios, gregos, romanos e muitos povos europeus. No entanto, a apicultura domesticada foi um processo intensivo em tempo e mão-de-obra. Embora as recompensas fossem ótimas, foi difícil executar na mesma escala que a produção de grãos, uvas e cana-de-açúcar.

Tudo junto e misturado

A primeira evidência escrita de mel em uma bebida alcoólica é a primeira receita escrita de uma cerveja. Houve muita sobreposição nas primeiras bebidas fermentadas. Os sumérios, um povo antigo que habitava o crescente fértil do atual Iraque, adoravam uma deusa da fermentação. O nome dela era Ninkasi. Há uma tábua de argila do século XIX a.C. que apresenta “O hino a Ninkasi” e é, de fato, uma receita para fazer cerveja. Entretanto, na receita é citado o mel com um dos ingredientes, então a bebida em questão era provavelmente era uma cerveja de mel.

Os gregos celebravam as bebidas de mel como divinas. Eles fazem várias menções à Ambrosia, o “néctar dos deuses”. Às vezes, a Ambrosia era chamada de comida e outras vezes de bebida. Certamente era um néctar potável, um hidromel ou vinho adoçado com mel.

Tudo junto e misturado II

A cultura romana deve uma grande dívida aos gregos, e isso vale também para o hidromel. Além de temperar seus hidromeis, eles continuaram a tradição de misturar vinhos e mel. Essa prática prenunciava a popularidade do hidromel. Desde então, a história foi escrita por entusiastas do vinho italiano, que preferem vinhos secos. Ainda assim, os vinhos romanos adoçados com mel eram certamente mais hidromel do que vinho.

A coleta de mel silvestre e a produção de hidromel também apareceu nos povos do norte da Europa. A evidência de hidromel remonta a pelo menos 1.000 a.C. no que é hoje a Alemanha e as Ilhas Britânicas. O mais famoso disso é o épico poema anglo-saxão Beowulf, que data por volta do século VIII d.C. O poema descreve a luta entre o herói escandinavo Beowulf e o monstro Grendel. Nesse poema, o hidromel é mencionado pela primeira vez no quarto verso e aparece com frequência nas 3.170 versos a seguir.

Declínio

À medida que o cultivo da uva e do grão se tornou mais disseminado, o hidromel perdeu seu lugar para o vinho e cerveja, por serem mais baratas para produzir e também da sobretaxa do mel em meados de 1700, e da maior disponibilidade de açúcar de outras fontes, também mais baratas. Além disso, nesse mesmo período surgiu a Lei Alemã da Pureza da Cerveja que baniu o uso do mel e de outros ingredientes na elaboração das cervejas naquele período.

O hidromel sobreviveu nos países adjacentes e mais frios da Europa, isso porque nesses países o uso de grãos era direcionado exclusivamente para a alimentação, enquanto que o mel ficava então reservado a produção de bebidas alcóolicas.

Além disso, também foram mantidas pequenas produções em mosteiros e, principalmente na Inglaterra, já que a família real sempre manteve um consumo próprio da bebida.

Ressurgimento

Foi só no final da Segunda Guerra Mundial, nos EUA que teve o início um redescobrimento da bebida. A Vinícola Bargetto, na Califórnia, começou a fazer o hidromel “Chaucer” na década de 60 e começou a vende-lo em feiras renascentistas. Mas foi só na década de 1980 que o mercado americano começou a ganhar corpo, com novas regulamentações e novas fábricas (hidromelarias) focadas apenas na produção e na venda do hidromel.

Consolidação do mercado

Além disso, o livro como “The Complete Joy of Homebrewing” de Charlie Papazian, lançado em 1984 serviu de inspiração para novos produtores artesanais. Embora o livro tenha motivado muitas pessoas a entrar no mundo da cerveja artesanal, houve também um capítulo dedicada ao hidromel. Depois de ler esse livro, Ken Schramm se dediciu a promover o hidromel, criando a primeira competição de hidromel com amigos em 1992 e trabalhou duro para promover a comunidade de hidromel. Em 2003, Ken Schramm lançou seu próprio livro “The Compleat Meadmaker” que se tornou leitura obrigatória e um verdadeiro guia a todos os produtos de hidromel no mundo. Desde então, o hidromel subiu ao lado da cerveja artesanal nos Estados Unidos, mas depois se tornou seu próprio nicho quando as pessoas perceberam o quão único e delicioso era essa opção alcoólica.

Presença na Mídia

Mais recentemente séries como Vikings e Game of Thrones, revitalizaram e reforçaram o interesse no hidromel, tornando-o dessa forma, a categoria de bebidas que mais cresce nos EUA desde 2013, superando inclusive o da cerveja artesanal.

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